Conheça a programação francófona do ANIMAGE

13 de outubro de 2021

A França possui uma longa tradição no cinema de animação, sendo um dos países fundadores deste gênero, ainda no início do século 20. Todos os anos, o ANIMAGE estreita os laços com essa filmografia rica que não para de surpreender e apontar novos caminhos técnicos e artísticos para a animação. Nesta nova edição, em parceria com o Consulado Geral da França em Recife, o festival traz participação de realizadores franceses em mostras especiais, masterclass e também na Mostra Competitiva Geral e Infantil. 

O grande destaque da animação francófona este ano é a mostra dedicada à carreira de Florence Miailhe, uma das mais importantes diretoras de animação da França. O ANIMAGE apresenta uma seleção de curtas que podem ser considerados clássicos universais recentes, entre eles Hamman (1991) e Conte de Quartier (2006). Florence Miailhe utiliza técnicas artesanais deslumbrantes, sobretudo pintura, para retratar personagens cheias de intensidade dramática.

Entre as atividades formativas deste ano, o ANIMAGE contará com a presença ilustre da diretora de animação francesa Agnés Patron. Agnès estudou animação na Ecole Supérieure des Arts Décoratifs (FR) e dirigiu curtas como La Valse Du Pendu, La Veuve Caillou e Chulyen Histoire, co-dirigido com Cerise Lopez, premiado em vários festivais na França e no exterior, como o Grand Prix Animatou e o Prêmio Especial do Júri de Hiroshima.

Agnés irá abordar em sua aula um pouco do seu processo criativo e sua visão particular para o universo da animação.  Seu mais recente filme, L’Heure de l’Ours, que foi  vencedor do César de melhor curta-metragem animado, estará na Mostra Hors Concours do festival. A animação traz a história da relação entre um menino e sua mãe, cujo laço é abalado após a chegada de um ser misterioso. 

A cinematografia francesa marca presença na Mostra Erótica, que este ano acontecerá de forma presencial em sessões no recém-reinaugurado Teatro do Parque, no Centro do Recife. Blanc Blanc, de Cloé Coutel, fala de um homem que está perdendo a última lembrança que tinha da mulher que um dia amou. 

A Mostra Competitiva de curtas traz diferentes produções que dão uma noção da diversidade da produção audiovisual francesa atual. Asmahan la Diva, de Chloé Mazlo, estica os limites da animação ao misturar sequências animadas e trechos em live-action. Chloé esteve no ANIMAGE 2016 através da parceria com o Consulado, e trouxe uma oficina ao festival. O filme conta a história da diva egípcia que dá nome ao título, considerada a Marilyn Monroe do Oriente Médio e sua vida cheia de drama, escândalo, casamentos e álcool. 

Ce Qui Résonne Dans le Silence, de Marine Blin, traz um desenho delicado para falar de uma menina que sofre com os silêncios dos adultos e que se sente privada do direito de chorar. Já adulta, ela explica os gestos ternos que a prendem aos mortos.

Os filmes franceses em competição trazem diferentes perspectivas e pontos de vistas de personagens de vários lugares do mundo. Esperança, de Cécile Rousset, Jeanne Paturle e Benjamin Serero, é todo desenhado em papel. Conta a história de uma menina angolana de 15 anos que desembarca na França ao lado da mãe. Je Me Gratte, de Chenghua Yang mostra a vida de Wen, uma mulher que tenta se reconectar consigo mesma após um doloroso divórcio. 

Friend of a Friend, de Zachary Zezima conta a história de um jovem rapaz que é violentado e que, depois de punir e subjugar seu agressor, torna-se seu amigo. Parte autobiográfico, o curta foca na complexidade envolvendo o abuso sexual e suas implicações na vida das vítimas. 

Outro destaque é GENIUS LOCI, um dos curtas animados mais premiados do ano passado. Além de vencer no Festival de Animação de Annecy, na França, o filme do francês Adrien Mérigeau ainda venceu o prestigiado festival de curtas de Clermont-Ferrant e foi indicado ao Oscar este ano. A narrativa acompanha um dia na vida de Reine, uma jovem solitária imersa em um caos urbano de ares caleidoscópicos. 

A mostra traz ainda À La Mer Poussière, de Héloïse Ferlay e Culottées – Mae Jemison, de Charlotte Cambon e Mai Nguyen

A competição infantil de curtas também está cheia de produções interessantes. Na oferta de filmes para os pequenos temos Mido et les Instrumeaux, de Roman Guillanton, sobre um garoto que adora cantar e que, de repente, recebe a visita inesperada de músicos animais. Digestion, de Annabelle Tamic, Sarah Erzen, Chloé Musa, Édouard Delfosse e Louis Lukasik é uma animação em stop motion que promove um convite para olharmos profundamente para dentro de nós mesmos – literalmente. Completam a seleção Moutons, Loup et Tasse de Thé…, de Marion Lacourt, que traz aventuras de uma criança e o lobo que mora embaixo de sua cama e La Source des Montagnes, de Adrien Communier, Camille Di DioI, Benjamin Francois, Pierre Gorichon, Briag Mallat e Marianne Moisy, que conta a história dos pequenos seres festivos conhecidos como Paccha-Picchus.

Como chegar? Teatro do Parque Rua do Hospício, 81 | Boa Vista - Recife/PE