A arte oficial do ANIMAGE 2021 – um papo com Elisa Carareto

5 de setembro de 2021

As infinitas possibilidades dos jogos de cartas inspiraram a artista paulista Elisa Carareto para a arte oficial do Animage. A artista criou um painel colorido e com uma enorme diversidade de personagens e situações para o cartaz e a identidade visual do festival este ano. “Fiz uma coleção de elementos que eu gostaria de ver em movimento. Por isso criei imagens que vão além da ilustração, pois podem ser desmontadas, reconstruídas, com diferentes possibilidades, como cartas onde você inventa diferentes maneiras de jogar”, diz.

Carareto é formada em audiovisual e dirigiu a série de animação “Vivi Viravento” (2016). Ela ilustrou os livros “A avó amarela”, “Menininho” e “Maremoto”. Pelo primeiro, em 2019 foi premiada pela FNLIJ na categoria ilustração revelação e pelo Jabuti na categoria infantil.

A criação da arte, toda feita em aquarela e nanquim, partiu da ideia da interação presente nos jogos de carta. “Quis criar uma imagem que fosse além da ilustração, que não se encerrasse nela mesma. Por isso a ideia das cartas, que podem ser desmontadas, reconstruídas, sempre criando diferentes possibilidades. Me inspirei em jogos que gosto muito, como o baralho, o UNO, o tarô”, diz.

Para a artista, essa ideia de recombinar diferentes imagens está muito ligada ao cinema da animação. “Talvez essa seja a natureza de toda a criação: recombinar. Como o DNA, por exemplo, onde os mesmos elementos químicos dão origem a tantos seres diferentes. Essa é a inteligência da natureza e, como fazemos parte dela, também é assim a nossa inteligência”.

Segundo Elisa, além dos jogos, a arte para o ANIMAGE também buscou referências nos desenhos animados exibidos na TV Cultura nos anos 1990. “Busquei trazer essas memórias maravilhosas que tenho de assistir aos desenhos animados de países muito diferentes, como Austrália, Islândia, União Soviética, que me chegavam a causar estranhamento”, conta. 

Elisa explica que o primeiro contato com o cinema de animação foi com a televisão, nos anos 1980 e 90, onde existia uma oferta muito diversificada de produções animadas. “Quando decidi criar essa coleção de imagens para a arte do festival decidi buscar em minha memória esses títulos que vi quando era criança. Foi uma experiência incrível que formou o repertório de referências que eu carrego até hoje”, diz.

A grade disponível hoje na TV, no streaming e mesmo no circuito comercial de cinema já não possui essa diversidade de estilos e narrativas. “As crianças hoje já não têm acesso a essas mesmas ‘cartas’ para formar seu próprio repertório. O que está disponível atualmente é tudo muito parecido, todos dos mesmos lugares e quase sempre com o mesmo objetivo, o mesmo formato”, explica. “Sinto que o ANIMAGE cumpre esse papel hoje de abrir essas janelas para esse conteúdo animado mais criativo, diferente, vindo de diversos lugares”.

Como chegar? Teatro do Parque Rua do Hospício, 81 | Boa Vista - Recife/PE